sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Certas Canções





O trabalho do CORAL ZOADA em Fortaleza nos anos 80/90 foi uma ESCOLA para muitas pessoas e para mim, em especial, pois foi minha escola de Regência e Composição. Ainda hoje acredito que não é possível separar a teoria da prática, a reflexão do fazer. Creio que artistas somos todos, mas que a intensidade de nossa arte só ela, a arte, é capaz de "demonstrar".

Pensando nisso estou tirando do baú o CD "Certas Canções", gravado AO VIVO nos dias 20,21,22 e 23 de Fevereiro 1995, quando comemorávamos 10 anos de Zoada. Essa publicação é mais do que um mero saudosismo, mas, sobretudo, a manifestação do desejo de fazer mais outras zoadas novas, com novas experiências para experimentos formativo-musicais.

O músico se faz com SOM. A vida se faz com SONHOS.

1. Memórias de um Vôo Interrompido
(Música de Elvis Matos escrita sobre Poema de Lira Neto)
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2. João e Maria
(Sivuca e Chico Buarque. Arranjo: Elvis Matos)
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3. Corsário
(João Bosco e Aldir Blanc. Arranjo: André Vidal)
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4. Claves
(Fernando Néri e Eurico Bivar. Arranjo: Elvis Matos)
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5. Acalanto
(Elvis Matos)
OUÇA AQUI

6. Maracatu Pulsante
(Fabiano dos Santos. Arranjo: Orlando Leite)
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7. Certas Canções
(Tunai e Milton Nascimento. Arranjo: Tarcísio Lima)
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8. Lágrima
(Álcio Barroso e Carlos Calvet. Arranjo: Izaíra Silvino)
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9. Beatriz
(Edu Lobo e Chico Buarque. Arranjo: André Vidal)
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10. Xote da Saudade
(Didi Moraes. Arranjo: Izaíra Silvino)
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11. Te Quiero
(Alberto Favero e Mário Benedetti. Arranjo: Liliana Cangiano)
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12. Liberdade
(Música de Ronaldo Miranda,  Sobre Poema de Fernando Pessoa)
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13. Além do Cansaço
(Petrúcio Maia e Brandão. Arranjo: Tarcísio Lima)
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14. Zoada de Rua
(Elvis Matos)
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PARA OUVIR TODO O CD CLICK AQUI

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Mais um mestre


JOÃO EMANOEL ANCELMO BENVENUTO, concluiu o Curso de Música (licenciatura) na UFC no ano de 2009. Estudante da primeira turma, João foi o primeiro a concluir o segundo momento de sua formação (Mestrado) - sob orientação do Dr. Luiz Botelho Albuquerque - e é também o primeiro estudante egresso do Curso de Música da UFC a entrar no doutorado em Educação. (João submeteu projeto para "fluxo contínuo" e o mesmo foi aprovado por comissão externa ao Programa de Pós Graduação em Educação Brasileira.

Na defesa da dissertação do João tive a alegria de estar na banca. Abaixo o texto que preparei para ler na ocasião:


“... É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem
que se pode melhorar a própria prática (Freire)



COMO SE FORMA UM EDUCADOR MUSICAL




A bem-vinda leitura do trabalho de João Emanoel Ancelmo Benvenuto nos lança e busca nos conduzir a partir desta essencial indagação: como se forma um educador musical? Na página 18 de sua “antecipada dissertação”, a busca se torna explicita e, comigo penso: NÃO SEI COMO O QUE É OU COMO É UM EDUCADOR MUSICAL, SEI APENAS QUE ELES EXISTEM E SEI TAMBÉM QUE NÓS NOS PROPUSEMOS A FROMÁ-LOS.

Ora, se há em nós a pretensão de formar educadores, a indagação posta por João Emanoel é mais que bem vinda: é essencial em essência.

Na busca de suas respostas, João anuncia que para encontrá-las “busca analisar ,criticamente, os percursos trilhados desde sua própria formação”, assim, diante do que está posto, vislumbramos o desafio e a coragem de João: DIZER-SE! (esse não é um exercício fácil).

Indo além da coragem, João afirma que quer “compreender como se estabelece a aproximação do músico-educador ao se apropriar da prática pedagógico-musical no contexto escolar”. Aqui cabe esclarecer: CHAMAMOS DE “CONTEXTO ESCOLAR” A ESCOLA PROPRIAMENTE DITA , um espaço de espera e esperança - Espera que , se estática, impossibilita; Esperança que renasce sempre em seres que nas escolas respiram o futuro.

Muito se tem falado, muito se tem publicado sobre Educação-Musical, no entanto, paradoxalmente, o Contexto Escolar, A Escola, é um espaço temido: um espaço do qual muitos músicos licenciados e licenciandos temem em se aproximar. Esse paradoxo parece estar enraizado na ideia, antiga ideia, de que a música (aquela que alguns com seus maniqueísmos tentam qualificar como “boa música”) é para poucos. E, mesmo que não sejamos adeptos dos maniqueísmos, caberia perguntar: o que seria boa música? Intuo que a BOA música é aquela que resulta de um processo de exposição de uma verdade única, singular. Uma verdade de um sujeito que por ser verdadeira pode ser de muitos sujeitos.

No entanto, as mentiras em que nos acomodamos (como diria Clarice Lispector) nos levam a crer que existem sujeitos indignos de acesso à boa expressão musical e por isso, talvez, os bons sejam pouco e não devam ser encontrados em escolares contextos.

Ocorre que a verdade da música está em todo lugar, assim como está na vida e, especialmente, na vida que há nas escolas: com música, química, literatura e matemática... com o conhecimento a vida poderá ser bela para ser a nossa verdadeira e coletiva obra de arte.

Articulando Saberes de Experiência, conceito colhido principalmente nos trabalhos de Tardif, com a noção de Habitus proposta por Bourdieu, João delimita teoricamente a envergadura de seu trabalho e, com a sua característica serenidade, reitera aquilo que nos diz Tardif: “é preciso aprender a trabalhar trabalhando”.

No trabalho desenvolvido nas disciplinas de estágio curricular, João anuncia, há algo para ser compreendido: COMO SE FORMA UM EDUCADOR MUSICAL! Na página 20 de seu trabalho, no final do último parágrafo, ele nos sinaliza: “UMA ANÁLISE MAIS PROFUNDA SOBRE A PRÁTICA PEDAGÓGICA DO EDUCADOR MUSICAL DEMONSTRA A NECESSIDADE DE UMA CONSTANTE REFLEXÃO SOBRE A ATIVIDADE DOCENTE, NO INTUITO DE COMPREENDER AS DIFICULDADES ENCONTRADAS EM SALA DE AULA”. e, Na página 21, articulando-se com Tardif, arremata: “A tomada de consciência dos diferentes elementos que fundamentam a profissão e a integração na situação de trabalho levam à construção gradual de uma identidade profissional” (Tardif, 2002, p.21).

Tomar consciência, no entanto, não é algo que se dá em um momento específico. Tomar consciência é um percurso sempre inacabado. Cada um de nós está sempre e constantemente tomando consciência de si e sempre nos (auto)conscientizamos em relação aos outros e aos nossos contextos compartilhados. Intuindo sobre essa constante tomada de consciência de si mesmo em relação aos outros, João se lança no interminável exercício do dizer-se para encontrar-se.

João, buscando compreender o impacto do momento de Estágio Supervisionado para estudantes da graduação em música da UFC/Fortaleza, busca recobrar os sentidos dos impactos do estágio em sua própria formação. No entanto, no percurso da elaboração da dissertação, o dizer de si mesmo ainda é vago e ficamos apenas com uma vaga ideia daquilo que poderia ter João nos dito. Esta vaga, talvez, possa ser preenchida no espaço do douotorado. Espaço já conquistado com competência que não pode ser usada contra o João, já que ao conquistar a progressão para o doutorado se viu obrigado a consubstanciar em dissertação conclusa aquilo que ainda nele estava em elaboração.

Por um momento, João, pensei em lhe sugerir a retirada de toda a parte referente à trajetória autobiográfica (da página 28 a página 39) mas, ao invés disso, sugiro que elas sejam mais exploradas se, claro, o Professor Botelho - nosso extraordinário orientador comum - achar pertinente. Ou, como apontou o Professor Álbio de Sales, apenas não se comprometa com a metodologia das Histórias de Vida.

Intuo, João, que uma coisa que contribui positivamente para a sua investigação é o frescor de suas experiências como aluno-estagiário em encontro com as experiências de seus companheiros de pesquisa, hoje estudantes-estagiários que se descobrem professores de música. As inquietações e os achados que você nos coloca ao longo do texto podem desencadear muitas reflexões na construção desse ator-professor-músico. COMO SE FORMA UM PROFESSOR DE MÚSICA?

Na página 44 do trabalho João nos diz que o estágio “é um ponto de partida no processo de identificação com a profissão docente”. Eu diria, discordando um pouco do João, que o estágio pode ser esse ponto de partida. Eu, por exemplo, apesar de licenciado, quase não estagiei. Na minha época as discussões sobre Educação Musical ainda não haviam chegado à fase do politicamente correto: não tive estágio na escola, mas, em algum lugar já estava em elaboração o meu processo de identificação com a profissão docente. O estágio é, sem dúvida, um bom lugar para que iniciemos a busca por aquela resposta: COMO SE FORMA UM PROFESSOR DE MÚSICA?

Na página 46 há um momento de transição não explicitado quando expondo o Projeto Político Pedagógio do nosso Curso (ítem 3.3) você salta para a percepção dos estudantes sobre esse mesmo PPP que seria, na minha opinião um novo ítem (3.4). E por que mesmo essa discussão sobre o teste de aptidão ainda é tão recorrente? Essa é uma pergunta que das entrelinhas salta para ar e no ar fica sem repousar.

João, Vejo que do momento da defesa do Projeto (qualificação) para este que vivemos agora, você tentou explicar melhor o COMO ocorre o estágio no nosso Curso de Música de Fortaleza. Na página 49 essa intenção de explicação é claramente confusa. Penso que um pouco mais de calma nos ajudará a entender o que é ou o que não é manter os estudantes no mesmo ambiente de estágio por dois anos. (Os estudantes, durante os dois anos de estágio, são distribuídos em escolas [atuando em duplas ou trios] e nestas devem permanecer até completarem as 400 horas. Uma turma de estágio, portanto, não é alocada toda na mesma escola {sugiro algo assim}.

Observe que na página 53 o anonimato de um dos estagiários é quebrado por uma colega. isto ocorre na colagem da imagem da tela do Ambiente Sócrates. E algo importante que surge como discreta nota de rodapé na mesma página 53 é o PIBID. Penso que por ser um programa que leva estudantes para o contexto escolar, o PIBID merece uma nota mais detalhada.

Nas considerações finais é possível encontrar importantes contribuições reflexivas, reflexos da pesquisa de João, que podem ajudar na Formação desse Ser-Professor de Música. João nos diz que as questões que ele apresenta acrescentam características fundamentais no processo de definição do estudante-estagiário em reconhecer-se como educador; em enxergar um significado ao “ver-se como um professor de música” (página 61). Na mesma página João nos fala de um engajamento do estudante com a construção pedagógica do referido habitus. João, esse engajamento é seu. É intransferível! O que me chama a atenção é que o seu engajamento parece nascer de uma intuição que se transmuda em compreensão elaborada em seu percurso de encontro com você mesmo e com as outras partes de você que estão hoje nos sujeitos da sua investigação. A Educação Musical é uma prática coletiva nada relacionada com “ensino coletivo” (isso discutiremos um pouco mais na defesa do Marcelo Mateus). Aliás, o conceito de “ensino coletivo” acaba por distorcer a essencial grupal, cooperativa, da ação de educar musicalmente.

O seu engajamento, João, talvez, talvez mesmo, tenha começado no Estágio. Ou talvez ele já estivesse lá (latente) e foi apenas se tornando consciente (manifesto) para você naquele momento. O que importa é que você compreende que essa constituição não é “obra solo” e sim algo que se faz no encontro, nos conflitos e na partilha. E por isso, com sua dissertação, você nos ajuda a fecundar o solo coletivo.

Uma pequena coisa, antes da benção final (de minha parte) é chamar a nossa atenção para o fato de que o supervisor de estágio não pode ser reduzido a um “agente motivador”, como você diz na página 62. Talvez tentando salientar que o supervisor não deve ser uma âncora ou uma amarra, algo que ordena e restringe, você tenha, inadivertidamente reduzido o papel desse autor, mas veja: o supervisor aprende muito no processo da supervisão. As trocas do supervisor com os estagiários são elementos fundantes e fecundantes da ação docente e ele também, como todos nós, deve estar engajado em sua própria formação, na constituição de seu habitus para o fortalecimento de nosso campo.

Agradeço de coração a oportunidade que você, com seu trabalho, me deu de mais uma vez pensar sobre estas coisas todas e sobre outras que por hora ainda estão em silenciosa elaboração. OBRIGADO!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

PRONUNCIAMENTO NA ABERTURA DO II SEMINÁRIO DO ICA

PARA SER GRANDE
SÊ INTEIRO
NADA TEU EXAGERA OU EXCLUI
SÊ TODO EM CADA COISA
PÕE QUANTO É NO MÍNIMO QUE FAZES

ASSIM
EM CADA LAGO
A LUA TODA BRILHA PORQUE ALTA VIVE


Fernando Pessoa


A SERVIÇO DE - UMA REFLEXÃO INGÊNUA (BOBA MESMO)

Uma das principais questões que para nós todos está posta é a nossa própria assunção
nós como servidores públicos. Vivendo em uma sociedade na qual, como aponta Marilena
Chauí “a indistinção entre o público e o privado não é uma falha ou um atraso, mas
é, antes, a forma mesma de realização da sociedade e da política” (2001 p.14), temos a forte tendência - um constante modo de operar - que parte do pressuposto que a Instituição Pública deve, antes de mais nada, atender aos nossos anseios individuais-particulares.

Operamos, assim, como Servidores Públicos, uma inversão na lógica essencial do Serviço Público. Nos colocamos como aqueles a quem a instituição pública deve servir e não como construtores de um espaço no qual podemos e devemos atuar realmente como
Servidores Públicos.

Muito trabalhamos para ter livros, laboratórios, gabinetes e ao conseguir nos
portamos como se fóssemos os donos únicos dos gabinetes, livros e laboratórios. Nos
esquecemos que o que é público é de todos e deve servir a todos. O que é público é um
bem comum a ser compartilhado.

Fazer algo novo e significativo no âmbito do serviço público precisa, portanto, ser
uma ação que parta da superação desta distorção, senão esse algo que surge não é
realmente novo e aqui cabe perguntar: O ICA que queremos será algo novo nesse
cenário?

Para além do aparente esotismo que a Produção Artística adquire na instituição
universitária e que pode dar ao ICA o status de pseudo-novidade o novo, realmente novo,precisa se fazer através uma ruptura corajosa com a lógica departamentalizada,
compartimentaizadoa do “cada um por si”: a lógica mesquinha dos pequenos e podres
poderes cotidianos. A operação/desafio que está proposta para ser nova deve ser
essencialmente integradora - uma ação universitária cuja novidade está na destinação
pública de seus objetivos, na transparência de nossas ações. Nisso, claro, não deveria haver novidade, mas há.

A construção do ICA representa um momento de crise, no sentido que esse termo
tem para algumas culturas não ocidentais: momento de perigo e de oportunidade.
Oportunidade para que consigamos dar um salto que revelará e ampliará as nossas
grandezas. Sim, somos grandiosos! Perigo de nos mantermos na grandiloquente
segurança daquilo que é pequenos e que já está posto: aquilo que nos torna seguramente mesquinhos em nossas certezas.

Tudo é, afinal, transitório, impermanente. A UFC viveu 50 anos sem o ICA. Que
diferença, que contribuição o ICA que cada um de nós há de construir dará para a UFC
em seu caminho qua alcançará em breve 60, 70, 80, 90, 100 anos?

A ARTE QUE SE PENSA (?) NO ICA

Outra questão urgente na construção do ICA, diz respeito ao que nós que temos
em nossas trajetórias sinais artísticos de existência produtiva
, queremos ao nos
inserirmos na senda universitária. Na página 62 de seus Escritos Sobre a Universidade, Marilena Chauí adverte:

TUDO QUANTO ATRAVESSA AS PORTAS DA UNIVERSIDADE SÓ
TEM DIREITO À ENTRADA E À PERMANÊNCIA SE FOR
REDUZIDO A UM CONHECIMENTO, ISTO É, A UMA
RE PRE S ENTAÇÃO CONTROL ADA E MANI PUL ADA
INTELECTUALMENTE. É PRECISO QUE O REAL SE CONVERTA
EM COISA MORTA PARA ADQUIRIR CIDADANIA
UNIVERSITÁRIA.


Essa questão é tão complexa quanto aquela que inicialmente apresentamos. Ao
mesmo tempo em que decidimos entre o público e o público (esquecendo
propositadamente a idéia de fazer do público um espaço de nossas próprias privações),
precisamos cuidar de sermos vivos, criativos em artes. Caso não consigamos ser artistas de nós mesmos, de nossas música, teatro danças e tudo mais, não haverá razão para a existência de um Instituto de Cultura Arte, por mais público que este possa ser

Professor Dr. Elvis de Azevedo Matos
Em 15 de Setembro de 2011

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Tenho Dito

"(...) viver é extremamente tolerável,
viver ocupa e distrai, viver faz rir.
E me faz sorrir de meu mist´rio. O meu
mistério é que ser apenas um meio e não
um fim, tem-me dado a mais maliciosa das
liberdades: não sou boba e aproveito
(Clarice Lispector - O Ovo e a Galinha)


TENHO DITO

ESCREVO-LHE
E NEM SEI EXATAMENTE POR QUÊ,
MAS,
SEM CERTEZAS, SEM CLAREZAS,
INSISTO EM ESCREVER-LHE.
NO ATO ESCRITO: ESCREVO-ME
E SE INSCREVE EM MIM
A INTENÇÃO DE ESCREVER,
A INTENÇÃO DE QUEM DESEJA DIZER.
MAS NÃO DIGO.
O DITO, SE DITO, SERIA DEFINITIVO.
O DITO EM SENTENÇAS, SENTENCIARIA OS SENTIDOS DAQUILO QUE,
SUSPEITO,
NÃO PODE SER DITO

MAS,
COMO FAZER SE NÃO DIZER?
O QUE FAZER DO MEU DESEJO DE DIZER?
E O QUE FAÇO COM O DESEJO QUE DEVERIA SER EXPRESSO EM DITA INTENÇÃO?

ESCREVO-LHE EM MEU SILÊNCIO
DAS PROFUNDESAS INAUDÍVEIS
O INAUDITO EMERGE

S I L E N C I O S A M E N T E (...)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

MEMÓRIAS DE UM VÔO INTERROMPIDO



No orginal:

Não ria!
Alguém anotou a chapa DE seus dentes
(Lira Neto)

Esta foi minha primeira composição para o CORAL ZOADA, em 1985.

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

TEM MUITA MARMOTA NESSE MUNDO

HÁ MAR

AMAR

HÁ MÁRMORES EM MUSEUS

HÁ MARES

MARINAS

AMARES

E HÁ AS MARMOTAS

ROTAS